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Contos e crônicas sobre tipos interessantes, causos e lugares conhecidos durante mais de 40 anos viajando sobre motos, barcos de pesca e botinas. Colaboram cariocas, coroas nascidos nos anos 40 e que se recusam a pendurar a mochila.
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Segunda-feira, Junho 28, 2004
A livre inicia-ativa
Uma das mais antigas tradições das estradinhas de Minas são os puteirinhos, que como como os circos e mafuás... são resistentes ao tempo e a falsa moral. Ganham fácil o espaço de Heróis da Resistência por serem o simbolo da teimosia e sobrevida. Em frente a minha obra, distante talvez uns 800 metros, estava esse estabelecimento vivo, ativo e integrado a vida da aldeia local. Nem meia hora depois dos caminhões chegarem com a carga de equipamentos lá estavam as hostess do estabelecimento distribuindo os cartões e o folder (aliás deveria ser fulder... sei lá...) da casa. Quem sou eu para interferir na vida social do planeta... eu estaria sobretudo, como comandante da nave Interprise, sujeito as Leis da Federação Intergaláctica. Jamais interferir com a fauna e a flora. Burro também não sou... e jamais prolongaria a jornada da montagem além das 19:00 hs. Eu correria o risco de ficar apertando parafuso sem ter ninguem segurando a porca... Domingo, Junho 27, 2004
UBÁ MC Quase que vi nascer o Ubá Moto Clube... o brasão ainda nem secou a tinta mas os parteiros são da melhor qualidade. Tahe o pessoal dessedentando a caravana em Tiradentes ontem de tardim mesmo... na sombra, discretos, eu e Dr.Hésio... agora com o H devido... sua benção, cambada! Eu nunca fui a um encontro com uma máquina tão despojada... mas foi du-ca-ce-te! Ps... pensa que é mole pedalar naquelas ruelas de lages centenárias? Experimenta. ![]() Policlínica em Ubá é a foto Estou voltando de um montagem que a nossa empresa está fazendo em Ubá... e feliz de ter conhecido mais profundamente um pessoal com gosto pela vida e senso fino de humor... Às vezes nem mato a cobra... mas mostro a foto! Quinta-feira, Junho 24, 2004
AS TRIBOS DE UBÁ Ontem fui convidado pelo Rui para ir a um encontro semanal de motos, aqui em Ubá. O Rui é o Presidente da Associação Comercial, um grande aficcionado por motos e foi o organizador do Primeiro Encontro Nacional de Ubá, há alguns meses atrás. Foi um sucesso. Infelizmente o cara me deixou na pista e não apareceu à noite, mas soube que estava adoentado e espero que não seja nada grave. Então cheguei por lá sozinho e meio ressabiado... com cara de songo-mongo mas com o meu casaquinho do Vrum Vrum MC RJ e fui super bem recebido por todos, assim que me viram. Já não estou só na área. Conheci o Tiago dos Steel Gooses que me introduziu na ratatuia; o Ésio, ilustre dentista trilheiro tipo... deu com as fuças, a gente já "faz o orçamento na hora"; o Queirós (Qué Qué pros intimos) e outros da pesada, todos finíssimos. Conheci o cara que tinha dito ao Jacaré (aquele doido lá de Rio Branco) quando siderou nos triciclos: ... Vou construir uma merda destas... Construiu mesmo... é o Emmerson e foi lá com sua jaca ainda sendo aperfeiçoada e me contou a sua saga para emplacar a bicha. Deve se orgulhar mesmo... que ela está ficando o cão chupando manga. Com um motor 1.6 que, no inverno, só parte na mijada direta de gasol, de um vidro de desodorante escondido do lado do assento... tá viciada a bicha. A tripulação é pequena mas decente e vão todos a Tiradentes. Se puder passo por lá para comer um franguinho no lobrobó a caminho de casa... e para dar um abraço no bandão de Ubá. Perdão pela falta das fotos que o babaca aqui não tem como baixar, a não ser segunda feira próxima... paciência pessoal... ficaram boas e virão como se diz em Minas... ainda que tardias. Quarta-feira, Junho 23, 2004
QG EM UBÁ
Para um começo de adaptação na cidade, por menor que ela seja há que achar amigos e pelo menos um templo da minha religião... digo... boteco. Mas não é qualquer cospe grosso não, tem que ter charme e tradição alem de ser especialista em comidinhas. Nada complicado mas, bem feito e com aquele toque de "só tem aqui". Mais das vezes leva um ou dois dias para levantar as informações básicas entre os irmãos de confraria e nem sempre eles abrem o jogo assim de cara. Eu não faria isso, exatamente para preservar meus endereços secretos. Então a liturgia é essa: fazer amigos primeiro e, se conquistar sua confiança, ganhar o mapa da mina. No caso de Ubá, onde já estou a caminho de mineirar-me irremediavelmente e sem volta, acabo de eleger o meu novo endereço de campanha. Em Sampa, o Manoel e Joaquim; no Rio, o Lamas ou Aurora (rola uma certa infidelidade) e aqui em Ubá, definitivamente: O MOREIRA. Pequenino mas poderoso e sua força está nos tira-gostos... caso sério de capricho e surpresa. Bico de porco, dobradinha à milanesa, orelhinha frita e costelinha de leitão no alho esbofeteado... cara... uma orgia feliniana de coisinha pra roer com uma bebidinha gelada. O papo é sempre de qualidade também, nem precisa levar o seu, o da cambada local compete em qualidade com os comes e bebes, tudo petisco pra ser saboreado com tranqüilidade e vagarosamente bem no jeitão de Minas. Onde fica... ora, degas, venha e conquiste a dica com sua presença como eu fiz... tá pensando o que? Que eu vou entregar as coordenadas pra isso aqui encher de ateu... Tesconjuro, sô... Segunda-feira, Junho 21, 2004
TÚNEL DO TEMPO Lá vou eu de cambalhotas cair em Cataguases de trintanos atrás. Estou em Ubá, trabalhando em uma obra de montagem e hoje é um domingo lindão de junho e como Cata é ali um pulinho de quarenta minutos e o pessoal tirou uma folga hoje... Decidir e zarpar foi uma piscadela. A estrada é uma decadência só, a gente tem que tirar o pé do acelerador porque parece a face da lua, o lugar tá abandonadim dimais da conta. Tinha uma ponte que estava balizada com uns tambores enferrujadim para só passar um carro de cada vez, ou indo ou vindo e tinha nego disputando vez no par ou impar. A razão era simples, um cartaz pintado à mão já empoeiradim mesm qui ocê num tem noção, que dizia assim laconicamente: 2.5 ton. Uai como eles adivinharam o peso exato da minha picapinha, sô? Como chegou minha vez de atravessar, ficava até chato, depois de verem a placa RJ, eu arrepiar o caminho e dei uma de machista de três bolas e fui em frente ouvindo o tema de Indiana Jones entre minhas orelhas. Cheguei em Cataguases cedo e não sabia como encontrar meu pessoal. Então, tentando reconhecer as casas, parei na praça Santa Rita e sai contornando a ruazinha, até a imagem de três décadas baixar no coração. Foi fácil porque muito pouco mudou por cá e em pouco tempo eu estava na frente da varandinha do Seu Breno. Eu pisquei e vi todo mundo sentado na mureta, com o violão na mão do Paulo Padeiro e as meninas em volta cantando bossa dor de cotovelo. É aqui cara... Toca a campainha e acorda quem mora aí, se não conhecer pergunta onde, que aqui todo mundo se conhece. Quem me recebeu primeiro foi um poodle preto boa praça que só ele e que nunca viu tesoura na vida. A segunda foi Soninha que me esperou trinta anos de pijama. Abriu aquela fresta de porta e me olhou sem qualquer lembrança no olho. - É aqui que mora D. Sonia, filha do Seu Breno? - É. - Você não está me reconhecendo, falei logo antes que ela chamasse a policia local que aliás já possui minhas digitais arquivadas lá. Quando eu falei a palavra chave, Armando da Urca, a gente só não se pendurou um no pescoço do outro pelo pijama né, que ficava chato. Só levou um segundo e a gente estava junto. Tomamos juntos um bom café de Minas e saímos pra ver Cataguases. Repetimos a cena com outros que não me conheceram também e teve gente que apertou minha mão, disse prazer e saiu fora. Ficamos às gargalhadas e tivemos que consertar rapidinho correndo atrás dos desmemoriados. Foi muito bom reviver aquilo tudo e fica mais fácil guardar os enredos por que o cenário esta quase todo lá, igualzim igualzim. Planejamos um dia no Bar do Goiaba com os remanescentes da gang original, quem sabe, vai ser breve. Eu vou voltar... certamente... nem que seja pra puxar o pé de alguém. Nesse dia eu atravesso a ponte tranqüilo... que eu vou estar levim levim. Sexta-feira, Junho 18, 2004
MINEIRIM
Estou em Ubá e no primeiro dia já sinto a mineirice tomando conta do meu coracão. Acho que com uma semana aqui, que é o tempo estimado para este trabalho, eu vou incorporar o sotaque por um mês. Sei que vai ser assim porque já ocorreu no passado. Acho que essa propensão vem do fato de admirar a franqueza e simplicidade que grassa nestas latitudes e da vontade inconfessa de ser Mineiro. De qualquer jeito eu devo ter um mineirinho lá dentro que, toda vez que venho para cá, se assanha e fica "deixa que eu chuto..." a toda hora. Demais da conta, sô... Hoje, por exemplo, quando a gente estava visitando a casa onde a equipe de montagem vai ficar hospedada... o Mineirim Interior danou a gritar quando viu por trás dos meus olhos, fixos no fogão de pedra com um forno à lenha... "Vamo fazê pão, Armandão... Vamo fazê pão... Anda, sô... toca comprar farinha e fubazim, mode uma broa de mio..." Segunda-feira, Junho 14, 2004
SIMONE "CRACA" DUARTE
CELEBRI-DIA Ainda falando de seres marinhos raros... nada é mais do mar que a Simone "Craca" Duarte. Como ontem foi a oportunidade de rever muitos amigos na Urca, os que se dignaram a sair de casa no frio para ver a passagem da Tocha Olímpica, nada mais justo que encontrar a nata do esporte que não frequenta a mídia com facilidade. A grande maioria dos convidados oficiais do evento não tem um décimo da coragem desta moça, que pode ser encontrada, sozinha às vezes, remando seu kayak lá no meio do oceano, tranquila como se estivesse no quintal de casa. Aliás é o quintal da sua casa faz tempo. Ou então cercada de seus alunos boiando em torno... como uma pata zelosa passando sua paixão pelo mar e pelo remo. Simone é professora de educação física e instrutora de remo da Escola Naval e a única pessoa que eu conheço que vai para o trabalho remando. Sai de sua Escolinha no Forte de São João e atravessa a Baía sempre que lhe dá na telha, economizando tempo e roleta de buzum. No entanto... ali na rua estavam carregando a tocha... os globais... que mais das vezes nada fazem e nem nunca farão xongas pelo esporte. Ficamos horas esperando a Xuxa largar a tocha, só para tirar uma fotinha mixa do Lars Grael correndo... já anoitecendo e com um frio azucrinante. Foi a Craca mesmo que sintetizou a situação: - Esse frio danado... e nós aqui esperando por estes 30 segundos... a gente é Mané mesmo! Põe Mané nisso, Comandante...! Sábado, Junho 12, 2004
Chris em dúvida (nos comments)
Sobre o sexo das suas tartarugas fujonas é mole... o macho é o que fica sempre por cima... voce só precisa de um bom calendário e uma lata de spray. Aguarda 30 anos para ficarem adultas e ahe a cada 15 anos elas entram no cio. É só ter paciencia e ahe ...zaaap marca a de cima com um M vermelhão. É claro que podem (possível) ser duas fêmeas lésbicas e voce estará cometendo uma indiscreção politicamente incorreta marcando uma delas assim em público. Dois machos é improvável... o bicho é meio casca-grossa... para ser bicha... fica até feio. Vou aguardar ansioso os proximos 45 anos para receber as notícias de sua pesquisa tá? Até lá até tartaruga vai trepar on-line... quem sabe não assistimos juntos com uma camerazinha de pilhas solares escondida entre as suas begonias... voyeurismo cyber-quelônio... é como vai se chamar a atividade coqueluche no verão de 2049 aposto! Ou Discovery para Adultos sei lá... Açúcar para nós tá prohibido colega... mas besteirol tá liberadaço... que não tem efeito colateral. Beijinho de stevia pra nóis tudo... ! Quinta-feira, Junho 10, 2004
A TARTARUGA
Fico aqui pensando se não tem um tanque sobrando lá em Praia do Forte e o TAMAR não aceitava mais este animal craquento como hóspede. Tenho feito tanto pela Petrobrás que de repente eles poderiam patrocinar minha preservação como bicho raro ameaçado. Eles já fazem isto bem. Já que é pra pedir, que me colocassem numa praia perto... melhor... fechem a enseada da Cotunduba e eu fico por lá mesmo comendo cocoroca e marisco numa boa. Podem deixar os turistas virem que eu mesmo recebo, não mais que 2 ou 3 por dia... por favor... a preservação inclui meu saco! Vou ser qualquer coisa assim entre uma baleia e um peixe-boi, mas com as pretensões longevas de uma tartaruga. Eu ia viver feliz por mais 56! Ora ora... se é pra pedir... vamos pedir legal, né?! Domingo, Junho 06, 2004
SOBREVIVER É UMA MERDA...
Sobre essa coisa de profissional aviltado tenho recebido muito texto revoltado, mas alguns amargos e outros sacanas e bem humorados que fazem mais minha praia. Esse sketch ahe é fantasiado com fatos reais, aliás bem comuns nas cidades pequenas. Diz uma estória que me contam, essa é de devogado, que um mequetrefe do interior estava morrendo a mingua porque inadvertidamente, tinha representado uma questão de herança contra o Coronel Poderoso, grande chefe local que (craro!) nem perdeu a causa e nem deixou de puni-lo. Como vingança o Coronel simplesmente boicotou seu escritorinho de vez... com uma ordem de cocheira apenas prohibindo (deixa o H que é meu obsessor seiscentista) que todos da cidade o contratassem. - Como devogado ou não! Também comprou as dividas de banco do Dr.Desempregado e mandou executa-las imediatamente. Em pouquíssimo tempo recusaram todos os pedidos de empreguinho que o devogadinho fez ... já decidido até a largar o direito e topar até ser balconista. Sua única esperança, pensou, era trabalhar para alguém recém chegado e fora do círculo de influencia do Coronel. E foi com este espirito que ele procurou o dono do Circo recém arribado na cidadezinha, que só não digo o nome por também eu, temer o Coronel. - O Dr. Não se incomoda de trabalhar num picadeiro? - ...Nada ... topo tudo... e tira esse doutor que esse tempo já foi! me chama de você... - ... tá bem... você... faz palhaçada pra criança? - Não! - É capaz de subir num trapézio? - Nãaaao... eu tenho medo de altura! - Tem experiência com elefantes? - Nunca! - Então meu amigo eu quero ajudar ...mas tá difícil... - Pooor favor qualquer coisa , eu tenho filhos (chuiff...) disse o devogado já fazendo beicinho... - Tá bem! Mas olha... é pegar ou largar :- ... você vai substituir o orangotango que morreu na cidade anterior ... não precisa habilidade nem experiência, basta chegar aqui 10 minutos antes das 9 e vestir a fantasia... o resto v aprende no picadeiro mesmo que é mole! O mequetrefe agradeceu a Deus e ao Dono do Circo, topou no ato e voltou na sua noite de estréia como orangotango. Meteram ele numa fantasia de macaco, enfiaram a cabeça de papel marché, tudo fedendo a mofo e passaram um aramezinho costurando tudo para ele não poder retirar nada. O cheiro era incrível e não dava para enxergar nada direito e ele lá dentro só pensava no cachê salvador que nem combinara. Sentiu que punham uma sombrinha aberta na sua mão e que o empurraram para a frente depois de subir uma escada comprida. Ouviu o alarido público e o rugido de feras lá embaixo e quando entreviu algo... descobriu que estava a dez metros de altura em uma corda bamba... e lá embaixo uma enorme jaula sem teto... com 3 leões e 2 leopardos urrando de fome... prestes a transforma-lo de devogado... em devorado! Ele larga a sombrinha... que cai e é destroçada pelas feras...mas se agarra com tudo no arame enquanto gritava : -... EU NÃO SOU MACACO... EU SOU ADVOGADO.... EU NÃO SOOU ORANGOTANGO EU SOU BACHAAAAREL DE DIREITO!!! SOCOOOORRRO... Um sucesso de bilheteria, casa cheia e dentro de sua fantasia deu para perceber (de relance) o Coronel e toda sua família (só não foi a neta... deserdada) todos as gargalhadas lá na frisa do Prefeito, bem como o resto do público na arquibancada. Número genial, que de repente nem foi bolado pelo dono do circo... Ninguém teve pena do devogado... a não ser um dos Leões que olhou pra cima e gritou: -...Dr...pode pular numa boa... que aqui embaixo nós somos 3 agrônomos e 2 veterinários!!!! (colaboração de parente anônimo) Sem comentários.... mas que é isso mesmo, é!! O QUE É SER CONSULTOR DE EMPRESAS? # Você trabalha em horários estranhos (que nem as putas!) Te pagam pra fazer o cliente feliz (que nem as putas!) Seu trabalho sempre vai além do expediente (que nem as putas!) Você é mais produtivo à noite (que nem as putas!) Você é recompensado por realizar as idéias mais absurdas do cliente (que nem as putas!) Seus amigos se distanciam de você e você só anda com outros iguais a você (que nem as putas!) Quando vai ao encontro do cliente, você tem de estar sempre apresentável (que nem as putas!) Mas quando você volta, parece saído do inferno (que nem as putas!) Voce ensina um truque novo e ele não te paga... não te chama mais... mas repete em casa todo dia (como faz com as putas) O cliente quer sempre pagar menos e que você faça maravilhas (que nem as putas!) Quando te perguntam em que trabalhas, tens dificuldade de explicar (que nem as putas!) Se as coisas dão errado é sempre culpa sua (que nem as putas!) Todo dia, ao acordar, você diz: VOU PASSAR O RESTO DA VIDA FAZENDO ISSO (que nem as putas)? É mas... algumas poucas putas, considere, sentem prazer no ofício... quase sempre... as melhores! Colaboração de Cely... e (#) adaptação descarada nossa... do que ela define como engenharia. Mas é assim mesmo que se perpetuaram grandes michês... umas aprendendo com as outras, queeerida! ;> )))) Sábado, Junho 05, 2004
TEMPOS MODERNOS
Eu até que nem sou muito cinéfilo mas vejo bem, tenho boa memória e algumas cenas antigas mesmo contrapostas com o scenário (deixem o S... é um obsessor meu que é antigo e me acomete vezinquando, mas contribói mais que inflói)... atual ainda apontam muita verdade. Um destes filmes é o Tempos Modernos do Chaplin, que ainda me atinge no estômago com boas porradas. Vocês sabem que a sobrevivência, a minha naturalmente, sempre me obrigou a fazer coisas na indústria que nem sempre estavam em consonância com as minhas crenças, mas esta mania incurável que minha família tem, de comer 3 refeições ao dia, sempre me corrompeu no final. Neste momento estou fazendo profissionalmente a mesmíssima coisa que fiz durante os meus 30 anos de escravatura anteriores à minha empresinha: bolando mil artimanhas para construir fábricas e linhas de produção mais eficientes. A scena (arre) que me incomodava era quando o Carlitos conseguia acompanhar finalmente o ritmo da esteira de montagem e vinha um capataz truculento que, recebendo ordens da gerência, aumentava a velocidade e com ela as dificuldades do tatu operário. Esse cara sempre fui eu e muita idéia minha teve duas utilidades finais: lucro e downsizing. Este último termo é eufemismo inglês para demitir peão. Raramente mesmo eu assisti downsizing de executivo yuppie... porque será hein? Suspeito de fidelidade partidária ou como a máxima em peonês arcaico: ...urubu não come urubu, chefia! A minha reflexão atual é que temos trabalhado com as mesmas idéias e no final nós promovemos o (atenção neólogos de plantão, coisa nova) upsizing... é porque cada produto que a gente doideja (eu e minha parceira de militância petroleira a Dona Lulu Brifica) resulta quando realizado... em mais empregos pros tatus locais. E olha... a gente tem se enfiado em cada brejo pra fazer fábrica, que é duro de achar no mapa. Nestes caminhos de rato de canavial, temos sido chamados de um tudo mas somos mais conhecidos como Os Lubsauros. Aliás belo nome para uma escuderia. Se pensar melhor, a gente lembra que o petróleo de hoje foi o lagarto de ontem... então nada mais adequado... nós somos a Vingança dos Jurássicos! Longe de mim querer o perdão pros Lubsauros, mas que alivia... alivia. Muito bom ver um traço de lapiseira virar uma fábrica... e fazer isto sem queimar ninguém e sem ser queimado... é bóoootimo... melhor ainda... sendo pago para isto... eu ri-comendo! |