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Contos e crônicas sobre tipos interessantes, causos e lugares conhecidos durante mais de 40 anos viajando sobre motos, barcos de pesca e botinas. Colaboram cariocas, coroas nascidos nos anos 40 e que se recusam a pendurar a mochila.
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Terça-feira, Março 29, 2005
ALELUIA JABOR! O Arnaldo Jabor, finalmente chega para homenagear alguns dos construtores da libido dos cariocas nascidos na decada de 50. Leia o artigo de meia pagina sobre sua infancia e juventude na Urca que at'e onde sei nao deixou nehum rastro de notoriedade... pelo menos nao a que tem agora relatando seu passado de emerito punheteiro. Parabens pela justica feita a Carlos Zefiro o artifice da libertinagem que forjou o espirito sacana da minha geracao. Sinto-me de alma lavada por tambem nao ter esquecido destas Influencias marcantes e tambem por nao ter economizado aquela que foi minha amante durante a juventude... a celebre atriz mexicana Palmita Delamano! Leiam tambem o meu artigo pioneiro . ____________________ Ps.:continuo sem dominar o config de acentos deste maldito laptop...tenham paciencia comigo!Domingo, Setembro 05, 2004. Para os mais apressadinhos republico abaixo o texto sobre o Carlos Zefiro de Setembro de 2004. Um abraco... CARLOS ZÉFIRO Tenho um método meio esotérico de garimpar livros nos sebos que frequento, agora nem é tanto frequente. Existe um em especial na Praça Tiradentes, que omito o merchandizing por amizade ao dono. Ao entrar pela sua porta, sinto que baixam os santos literatos pelo arrepio momentâneo na espinha e andando mais 2 metros... já estou em transe pleno. Na frente de cada estante empoeirada, ocorrem novos arrepios extras, que orientam olhos e mãos agora com vida própria . A primeira peneirada resulta em 6 ou 7 montes de um tudo. Papeis soltos, livros grossos , coletâneas de bolso, fotos velhas... nesta primeira leva vem de tudo mesmo. É a malha fina. Depois o transe se aprofunda e é feita a escolha final, tudo sem maiores leituras.Tudo no piloto automático Num destes happenings astrais, bati os olhos em um livro da Editora Codecri (Pasquim), assinado pelo Jaguar, que era uma resenha jornalística com entrevistas e tudo sobre a obra do Grande Carlos Zéfiro. Dei a passeada de leitura, já desincorporado de meus obsessores, e no flash registrei coisas como: "Alcides Aguiar Caminha... e faleceu de derrame cerebral, no Rio, aos 70 anos... O cartunista Jaguar... "O desenhista Eduardo Barbosa disse que ele era o verdadeiro Zéfiro. Apresentou-me um desenho original, eu caí (no conto) e acabei publicando uma entrevista dele no Pasquim. Nessa, o verdadeiro Zéfiro ficou indignado e acabou dando uma entrevista para a Playboy. Zéfiro foi o mais assíduo companheiro de banheiro da minha infância..." Assim era, estava ali resumida toda a autoria do que eu chamo de construção da libido de toda a minha geração. Toda é exagero bem meu mas... digamos 90%... pronto. Em diversas ocasiões falei desta coisa de que a geração de 50 tem uma postura de sobreviver a velhice de uma forma natural sem os rompantes de missão ou a doença de combater a decrepitude a todo custo. Esta postura de combate a velhice, eu sacaneio como a síndroma de "Ponce de Leon", ou das buscas cosméticas ou fisioculturistas maníacas das gerações posteriores a minha. O Mário Prata é quem melhor definiu-nos como a geração que "desinventou a velhice", em um texto primoroso que tem mais hora de internet que urubu tem de vôo. O heroísmo da resistência da nossa ratatuia de 50 é uma força natural. Ou vocês acham que os Rolling Stones estão nessa por dinheiro? No cu pardal... é por prazer puro... presta atenção no estrionismo dos caras quando estão incorporados. Estão como nóis tudo... atrás da Satisfaction incompleta... Pois é... muito desta resistência natural dos heróis, vem de uma sexualidade vitaminada pelo mistério e pelo romantismo sexual único desta época. Acreditem que assim é. O fato é que urge lembrar de forma grata a OBRA (deixa em maiúscula mesmo) de gente como o Alcides "Zéfiro" Caminha, que para criar os filhos com mais dignidade futura, arriscavam sua dignidade presente. Houveram outros incontáveis heróis... como Silvino Neto, com suas fitas gravadas de porno-novelas, Walter Pinto e outras companhias de Teatro de Revista... e muitos Heróis free lancers como Leila Diniz... que seguramente assinam a construção da sacanagem (no bom sentido) sadia de nossa geração. Esta então... é a musa definitiva dos Templários dessa cruzada. Ao sair do Sebo Tiradentes então... dei a parada obrigatória no velho livreiro e amigo de tantas garimpadas, até por ter que paga-lo, mas antes de tudo porque era um papo ritual . Ao ver o livreco do Pasquim sobre o Zéfiro no meio dos meus garimpados papéis... comentou sua gratidão eterna ao cara... que era muito maior que a minha. Me puxou para um canto discreto da loja, longe das vistas da mulher (trabalham juntos há mais de 40 anos) e baixou a voz. Me contou que o autor era funcionário público na época e fazia aquilo para ganhar mais algum caracacá. Entregava um original em nanquim, recebia a mixaria e então: cagava e andava para a tiragem de sua obra. Contentava-se pelo anonimato que o mantinha fora da cadeia. O seu comentário seguinte dá conta do lado editorial desta estória e do seu tamanho. - ... que minha mulher nunca saiba disso Chefia... mas nossa casa no Andaraí... foi paga todinha com livro de catecismo deste cara... eu devo isto a ele e de quebra... essa lojinha. Trocando em miúdos... devo a minha vidinha a ele. E não fui só eu não... tem muito jornaleiro que virou editor. Um ano depois, passei lá de novo, para dar a notícia triste (que nem foi muito veiculada) da morte do Carlos Zéfiro dois dias antes. O livreiro velho e eu... choramos duas lagriminhas honestas... no mesmo local onde escondiam as revistinhas imagino eu... atrás das estantes. Domingo, Março 27, 2005
Alo blueseiros sumidos: instrumento novo no arsenal de azucrinar vizinho.Pelo menos aqueles que nao gostam de blues e chorinho. Nada de Fenders e nem Stratocasters ou outra velharia, destas mais cheias de tradição que só caixa de Maizena. Ninguém tem outra guitarra igual no mundo... e a bicha toca macio quase que adivinhando a próxima nota e antecedendo os acordes seguintes. É mágica pura só dedilhando pra crer... como eu não vou permitir... acredite se quiser! É uma Guitarra Hildebrand legitima... feita sob medida para mim pelo luthier Fernando Hildebrand, (anotem este nome aí... reles musicos mortais...), quem me presenteou com a coisa mais cara que se pode dar a um musico: um instrumento feito com amor e com as próprias mãos...taylor made. O som que ela faz eh purissimo e de uma acustica de madeiras raras bem combinadas... um luxo raro. Fernandao é arquiteto e informata, mas acho que esta descobrindo algo mais forte que a técnica... mesmo não prescindindo desta: fazer um instrumento musical perfeito. Quem quiser ter uma parecida (jamais serah igual!) tem que convencer o autor desta aqui... e mesmo assim entrar na fila de espera que já é longa. O cara já tinha feito uma outra obra de arte, mas eu essa eu divido obrigado... e todos os dias com o resto da família: minha neta a Princesa das Águas. O cara é bom nessa área também... mais aí nesta oficina... ele trabalha em parceria! Sábado, Março 26, 2005
Eu sofro de um surto de personalidades múltiplas que me acometem porem de forma disciplinada e uma por vez graças a Deus né? Uma delas , (vou apresentar as mais apresentáveis de vez em quando) é Elijefferson o motoboy. Este começou a se manifestar diante da necessidade de ter alguém para este metier num pobre escritório de consultoria. Como sou um péssimo médium custei a me aperceber de sua presença, na verdade quem me chamou atenção foi um porteiro da Refinaria de Manguinhos em uma das vezes que conversou comigo quando eu lá ia buscar amostras e documentos. - E aí cachorrão tudo na boa? To pra falar contigo... essa sua empresa forneceu uma macaca de responsa para você... a garotada só pinta aqui de hondinha 125... o decano aí ganhou uma tenerezona... legal... deve ser a responsa da idade né? Foi aí que eu saquei que o estacionamento era exclusivo para os mensageiros e a cachorrada louca. É claro que minha roupa de chuva e as botinas contribuíram muito para o meu julgamento... mesmo assim ainda houve aquele papo conferir. O segundo pontapé nessa bola foi em frente ao meu escritório no Centro mesmo. Eu deixava a moto estacionada no meio dos meninos até por uma questão de segurança corporativa né... mas vai que meia dúzia de vezes emprestei meus elásticos para amarrar cargas bem improváveis de chegar em cima de uma moto, emprestei ferramentas, troquei muita figurinha de preço e endereço de sobressalentes baratos para as maquinas... tudo de emprestado sempre foi devolvido religiosamente e na minha ausência. As coisas se materializavam nas minhas bolsas e bagageiros sem erro. resultado acabei eu mesmo um cachorro louco de carteirinha : Elijefferson com 2 Fs. Aprendi 1000 malandragens de fila de banco, cartório , bico de entregador/ táxi e é claro conheci meia dúzia de Mafiosos de confiança bons de papo e porrada. Fui convidado para a pelada semanal do Aterro e dei uma passadinha por lá... a união é um fato indescritível e se a canelada come na maldade já é fato que não deve rolar no dia deles por questões de segurança da torcida e times oponentes. A união entre a massa é mitológica ... motoboy quando é abalroado no trânsito ...antes de cair no chão já é mapeado, quando quica a primeira vez já está amparado cercado e protegido. Ontem mesmo vi essa cena em frente ao Pinel em Botafogo às 7 da noite. Chovendo pracarai mesmo... em 3 minutos contei 15 motos em volta do menino, o tráfego já desviado e um disparou para o Rocha Maia voltando rapidinho com uma ambulância. Quando chegou o motorista já tinha sido julgado absolvido e liberado pela matilha toda. Eficiência e rapidez exemplares. Com uma segurança dessa eu vou cantar para Elijefferson subir aqui nesse terreiro Iraquiano ? Só se eu fosse maluco... é melhor que seguro de vida bro! Que Tupã proteja a Cachorrada Carioca! Quinta-feira, Março 24, 2005
O GOSTO ALBUM
Isto de ter uma época marcada por uma foto ou por uma musica é uma coisa batida, mas um gosto e um cheiro são mais recorrentes quando bate a saudade. As fotos esmaecem, mas o resto fica com a cor que tinha na primeira impressão. Eu tenho abdicado desde junho de 48 aos álbuns de cheiros, até por falha (ou carma sei lá) de montagem já que a natureza me negou o olfato, mas o gosto... é sempre um carimbo indelével em cada neurônio sobrevivente deste cérebro cheio de estória , este coração cheio de pecados e este fígado sem futuro. Alguns sabores eu aprendi a reproduzir fielmente e acho já posso deixa-los de herança para os que chegam agora e os que chegarem depois...como as panquecas e as apple pies da Lolita , a Matriarcona... a que tinha a capacidade de levantar do sono as 3 da manha e se enfiar na sua cozinha, para fazer acontecer as maravilhas gustativas e olfativas mais votadas por filhos e depois pelos netos. Depois ela se sentava na primeira cadeira de palhinha em volta daquele mesão de ébano de 100 anos... e ficava olhando e rindo as bandeiras despregadas das bobajadas que a gente contava... as que tinham rolado na noitada ou numa viagem que só terminava quando a gente fechava a boca na quituteria servida... Nestas ocasiões o gosto era de donnuts e de panquecas mais das vezes ...ou um cuca de bananas irretocável. Quando eu vinha de férias da Bahia , uma vez por ano... era recebido por uma pilha heróica de costeletas de porco cara... crocantinhas e batatas Siracusa ... que era como ela chamava a batatona corada e mais crocante ainda, que acompanhava em torno do bandejão. Bicho... é inesquecível. Caaaraaaaca ... pausa pra engolir a água na boca e limpar a dos olhos!!! A farra das crianças era o pirulito e as balas de mel terminadas na pedra da pia e que devem ter feito a vida financeira dos dentistas desta tribo. Acho que o caminho da vida eterna passa mesmo é por um livro amarelado de receitas, ainda não fiz o meu e ... quando fizer espero... que dê tempo de amarelar... Até lá... se neto pede... eu corro pro fogão rapidinho e na hora que for mermão, pra deixar meu grafitti gravadão... lá no fundo de suas papilas gustativas! Domingo, Março 20, 2005
Animacao animal...
Respondendo ao amigo Pino sobre como ando de saude... eu disse que eu era como minha moto velha... que vai largando as pecas pela estradinha mas continua funcionando e a gente nem desacelera. So vai escutando o pimpimpim das arruelas quicando nas pedras... Entao ele me mandou este card animador... (veio via Crhome Hawk) com um texto que nao vou publicar porque eh mais estranho ainda. O significado nao faria sentido para um mortal que nao teve o previlegio de conhecer gente como alguns bons amigos que fiz... nesse treco de sair por ahe montado com um bando de malucos. Entao nao seria justo nem com ele nem comigo, qualquer julgamento de um reles mortal que nao tenha sentido os mesmos ventos que nohs os iniciciados. (desculpem a grafia sonora mas a bosta deste laptop nega-se a acentuar) Enfim, resumindo, falamos que a vida da gente acaba como a Highway do blues que diz que ... in the highway...you travel alone! Bom... de qualquer maneira temos um encontro marcado cara e foi voce mesmo que teve a ideia, agora segura mermao... eu vou estar lah te esperando no beco a esquerda depois do tunel tah? Quando v estiver saindo para a luz jah mete a seta e pisa no freio...que eh logo ali...molinho de achar o antro em questao...se poracauso eu nao estiver lah... desce no ladeirao ao lado ateh o final, mas nao esqueca de trazer nas bolsas...as toalhas e a essencia de eucalipto! ###### Serio agora: Se alguem souber a data do encontro de Ubah MG... falahe rapidinho por email. Grato. A mineirada me abandonou geral...snif Segunda-feira, Março 14, 2005
Esse meu gene aquatico é um tirano! Soube hoje que minha segunda neta, a paulista, que acaba de dominar a arte de andar e jah esta parla-bitatando horrores... nao pode ver cenas de BBB 5 (daquelas no ofurô ou na piscina) que sai gritando : - Banhaaaa...banhaaaaa...banhaaaa!!! Pronto, acaba de ocupar a vaga heraldica de Viscondessa das Águas, prima de Princesa das Aguas e Sobrinha da Rainha das Aguas... Eu mereço...glub glub glub... Domingo, Março 06, 2005
CIUMEIRA BRABA...
Li há dois dias um artigo (sob o título : PEQUENA NOTÁVEL!) na revista do Globo falando sobre a Urca, basicamente elogiando o bairro como o melhor e mais aprazível do Rio. Falam também nas opções de divertimento e como somos hospitaleiros e isso é a pura verdade. Publicam mesmo, 12 sugestões de programas quentes que o bairro oferece e praticamente convidam em nosso nome as pessoas a fazerem uma visita ao bairro... Nada contra, mas na hora que li senti na boca um gosto milk-shake...de ciúmes, medo e xenofobia... coisas raras nesta boca. É como se alguém tivesse revelado as coordenadas de Xangrilá... e esta informação está agora disponível a todo tipo de pessoa que queira transitar pelas 21 ruas do Bairro... todos no mesmo dia... supus. Minha tribo corre o risco de contrair até pneumonia dos brancos invasores... Agora mesmo vou sair para fazer um recenseamento emergencial neste domingo ensolarado (médio...) e tentar aplacar essa mesquinhez que me polui o coração. Fico lembrando do Alceu Valença... como respondeu com aquele sotaque brabésimo... a um repórter sobre o que realmente achava do Carnaval de Olinda e o que recomendava ao turista: - É terrível de ruído... trânsito e muvuca... no maior empurra-empurra... as ruelas cheiram a mijo... desagradabilíssimo... venha não meu filho, vá para a Bahia! |